Olho a linha do horizonte que se perde no infinito.
Duas árvores à beira da praia se entrelaçam, como namorados.
À sua sombra, crianças brincam,
despreocupadas.
A luz mortiça do sol de outono
não dissipa de todo a bruma.
Estou só, sentado num tosco banco de madeira.
Transporto-me em devaneio.
Sou uma das gaivotas
que alegremente enfeitam a paisagem.
Livre, célebre meu pensamento voa.
As voltas no ar são como um retorno no tempo.
Ora sou o menino
à beira do rio pescando piabas.
Ora o mesmo menino
que vibra com a pipa no ar.
Ora sou o rapazinho que se prepara
para a vida adulta.
Ora sou o pai que se vê reproduzido no filho.
Ora sou o homem maduro,
em solidão, na beira da praia
vendo o fim da linha.
O devaneio se vai, deixo de ser gaivota,
volto ao banco tosco.
As crianças continuam sua ingênua brincadeira
sob a sombra das árvores entrelaçadas.
De novo, olho a linha do horizonte
que se perde no infinito.
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